A função social do Psicopedagogo
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Olá, Celina e demais participantes!
Todos sabemos quantas crianças/adolescentes portadores de necessidades escolares especiais freqüentam as escolas regulares e não são percebidas como tal pelos professores e pais. Observamos quantos deles simplesmente não são "rotulados" como fracos, indisciplinados, desinteressados, enfim. Quando ocorrem encaminhamentos para um psicodiagnóstico, há uma evidente responsabilização do psicólogo, do fonoaudiólogo ou do psicopedagogo para que os "problemas" sejam sanados.
Penso que o ambiente escolar ainda não trouxe, para si, a necessária parceria com estes profissionais. Os professores nem tomam conhecimento, na maior parte das vezes, dos laudos encaminhados e nem imaginam a importância que têm para os avanços ou não dos alunos que estão em acompanhamento, continuando com as mesmas práticas pedagógicas que generalizam as ações didáticas, sem perceberem que há a necessidade de intervenções diferenciadas para estes portadores de transtornos de aprendizagem.
Sabemos que a formação acadêmica do professorado deixa muito a desejar. Não estou defendendo uma "culpabilização" destes profissionais ou da própria escola. Mas sem ter o necessário conhecimento sobre a importância destes especialistas na formação e desenvolvimento destes sujeitos, nada vai mudar. Não estaria faltando um esclarecimento sobre a função social destes profissionais? Professores e Gestores escolares não estariam precisando de informações sobre os diferentes tipos de distúrbios da aprendizagem?
O que acham?
Escrito por:
- Tereza C.
- Pedagoga / Psicopedagoga
- sexta, 04 de janeiro de 2008 - 18:41
Olá Tereza!
Gostei muito do seu questinameto. Penso como vc, qto ao descaso com os alunos que fogem aos padrões convencionais de aprendizagem, e, tbm qdo se refere à formação acadêmica dos professores. É lamentável que nossas Faculdades de Formação de Professores se preocupem em apresentar somente teoria se fazer a conexão com a prática. Penso que as Faculdades de Formação de Professor deveriam se preocupar em repassar a teoria aplicando-a na prática do dia a dia. Onde estão as Escola de Aplicação? Serão todos os estágios bem preparados e supervisionados pelos Mestres. Tenho minhas dúvidas. O Professor de posse de seu Diploma vai a campo em busca de trabalho e tem que enfrentar uma guerra por vaga.
Solucionado este pequeno problema, dá de cara com uma turma de pré-escolar. Sem nenhuma base prática, vai aplicando os conteúdos decididos pela cúpula escolar.Esse profissional vai aprender com os duros golpes do dia a dia.
Aquele que tem boa vontade vai atrás, gasta seu minguado salário na compra de material didático para atender seus alunos.
Depois jogam a culpa nos professores pelo ensino sem qualidade. Questão p/ refletir: Se o ensino está ruim, se os professores não estão preparados de quem será a culpa? Só deles? Um grande abraço.Delourdes
Pois é, Delourdes.
Às vezes fico pensando se toda essa questão não meio um beco sem saída. Parece desanimador, não é mesmo? E temos um outro agravante: a psicopedagogia não é vista, ainda, como uma profissão reconhecida. Como assim?! Uma prática que teve início nos idos dos anos 70... Se os cursos de formação para a função do magistério não dão conta de tratar das questões dos transtornos de aprendizagem, algum recurso a sociedade precisa encontrar para ajudar suas crianças a vencerem diferentes obstáculos em seu percurso de escolarização.
Fico constrangida diante de algumas situações de inacessibilidade de muitas crianças às intervenções psicopedagógica, visto o fato de os centros que se dedicam a esse estudo serem caros e, quando se lançam para a clínica social, o próprio especialista parece não ter sua função bem reconhecida, visto a quantia quase simbólica que recebem pelo seu trabalho. São muitos nós a serem desatados. E enquanto isso, um infinito grupo de pessoas ficam à margem da possibilidade de um bom processo de escolarização formal.
Obrigada pelo seu posicionamento. Havendo oportunidade, quem sabe não trocamos mais idéias, não é?
Abraços,
Tereza
Escrito por:
- Tereza C.
- Pedagoga / Psicopedagoga
- sábado, 05 de julho de 2008 - 14:12
