CIÚME PATOLÓGICO
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É impossível ficar impassível perante este crime brutal contra esta menina - Isabella, e não deixar de colocar algumas questões:
O ciúme necessáriamente é uma prova de amor? Ou sómente uma espécie de tradição que seguimos nos últimos milênios, em que a posse de uma pessoa, de sua história, de seu passado, deve ser apagado no exato momento em que entramos na vida dela?
Quantas outras histórias são noticiadas, em que namorados furiosos jogam ácidos em suas ex-mulheres por serem rejeitados, maridos ensandecidos que ateiam fogo ou dão tiros em suas mulheres, às vezes por acharem que são traídos, ou novamente por serem rejeitados?
Até que ponto, homens e mulheres continuarão repetindo determinados padrões repetidos exaustivamente de geração em geração, padrões estes que deveriam necessariamente passar por uma reformulação interior de cada um, uma vez que somos seres individuais com sua própria história e cultura?
Será que há uma medida para um que o ciúme seja catalogado como normal?
Ou ele sempre virá atrelado à esta necessidade de revirarmos o passado do nosso ser amado(a), e com alguma espécie de mágica, fazer com ele seja esfumaçado e esquecido?
Quantas novas famílias vivem o mesmo drama, formadas por filhos de outros relacionamentos, mas indesejados no atual?
A sociedade necessita urgentemente fazer uma revisão, não só no Código Penal, mas nos valores que estão se transformando desde a década de 60.
A posse de um amor não existe.
Quem exagera no ciúme, precisa urgentemente de ajuda técnica especializada, trabalhar questões de rejeições, auto-estima, etc.
QUEM COLABORA PARA ESTE ESTADO NO OUTRO TAMBÉM ESTÁ DOENTE.
Nada justifica este crime.
Mas quantos acontecem sem a cobertura da imprensa, no silêncio das casas, nos hospitais onde crianças e mulheres vivem "caíndo de escadas" ou sofrendo queimaduras de "panelas que cairam do fogão"?
Delma Godoy
Atualizada em: Tuesday, 22 April, 2008 - 09:59
Olá Fernanda,
Obrigado pela sua participação neste tópico.
Emprestando palavras do Arnaldo Jabor - "A tragédia não é só das vítimas, mas nós também sofremos para entender o mal incompreensível. Cresce aos poucos uma pele de rinoceronte em nossa alma, com o coração mais duro, ficamos mais cínicos, mais passivos diante da crueldade."
abçs.
Olá amigas,
Ótimas colocações.
Vou continuar enfatizando não só o questionamento do ciúme patológico, mas a necessidade urgente de mudança no nosso Código Penal.
Sigo com as palavras do Arnaldo Jabor, colocadas hoje na sua coluna do jornal O Globo:
"A lei tem de ser mais temida, mais rápida, mais cruel. Esse vazio da Justiça explica o sucesso de filmes como "Tropa de elite" e até fantasias de linchamento em todos nós. Vejam as portas da cadeia onde estavam os dois assassinos.
E, por fim, por que tantos crimes contra crianças?
O caso do João Hélio, crianças decapitadas na Febem, crianças jogadas em pântano em Minas, crianças no lixão, aquela psicopata em Goiás que contratava meninas pobres para torturar, e mais: pedofilia, espancamentos, tudo..."
Serão estas crianças, usadas por adultos ciumentos patologicamente, que descarregam toda a fúria de seu descontrole emocional em seres inocentes?
Está na hora de revermos o estrago afetivo causado por qualquer tipo de ciúmes.
abraços à todas!
Olá Silvia,
Realmente a nossa justiça é falha em várias áreas, e a esperança está nas mãos dos nossos juristas.
Tenho pensado muito na intituição da "Sacralização do corpo", não no sentido religioso, mas na consciência que todo ser humano deveria ter, de que somos seres espirituais, necessitamos de afeto, carinho e atenção.
Deveria ser ensinado nas escolas, a consciência desta sacralização, explicando para as crianças o poder de um soco, um empurrão, beliscão.
Em nossa cultura, estes pequenos delitos estão banalizados, e cotidianamente viramos nosso rosto quando vemos pais baterem, empurrarem, beliscarem seus filhos, e inconscientemente pensamos "alguma ele fez".
TUDO CONSPIRA PARA ESTA DESACRALIZAÇÃO!
Então voltamos praticamente ao início de tudo -
somos seres humanos? Ou simplesmente uma espécie "evoluída" entre a paz e a guerra?
abraços em todos os corações!
Delma, obrigada pelo convite.
Concordo com Renata, a mídia explora esse caso, mas existem muitas isabelas sendo matratadas, pedindo esmolas em sinais de trânsito, sofrendo abusos sexuais dentro de casa, sendo exploradas pelo tráfico e se prostituindo por um pão.etc,etc....Mudar as leis no Brasil....complicado,dará muito trabalho, mas não impossível.
O tema é ciúme. Vamos a ele.
O ciúme é um sentimento que faz a relação se dividir:
torturado e torturador - Um é posse e o outro o objeto dessa posse.
Que coisa terrível, viver eternamente nesse estágio de sub-existência,
onde a razão é substituída pela emoção mais mesquinha que existe.
Abraços, Angela
Olá Maria Angela e amigos,
Pois é, o tema é amplo.
Coloquei o ciúme patológico neste caso da menina Isabella, pois no início de tudo, foi divulgado que um dos motivos deste crime bárbaro, seriam os ciúmes da madrasta em relação ao passado do marido. É evidente que depois tudo tomou outros rumos, e atualmente temos 4 minutos (de acordo com a perícia) para que uma outra pessoa ter feito tudo o que já sabemos.
Enfim, concordo com todos os que aqui se manifestaram, que estamos num país das complicações, necessitando de muito trabalho e empenho para modificarmos não só leis de30/ 40 anos, mas consciências principalmente, o que na minha opinião é complicadíssimo, mas não impossível.
Gostei da expressão - torturado e torturador. Afinal quem vive neste estado de relação, está realmente numa sub-existência. Perfeito!
abraços no seu coração!
Atualizada em: Wednesday, 23 April, 2008 - 13:40
Ciúme, Violência.....
Olá Delma, tomei a liberdade de entrar nesse debate.
Várias pessoas aqui desse tópico concordam então que o Ciúme patológico leva a violência até mesmo a morte de seus participantes.
O Ciúmes em minha opinião já é uma violência muito grande, Como disse nossa amiga Fernanda: uma pessoa que fuça suas coisas, cheira sua roupa, investiga sua rotina, te segue para ver onde vai e muitos de nós encaramos como bonitinho e até mesmo prova de amor, e esse ciúmes não esta somente entre os casais que se dizem viver uma história de amor, vejo esse ciúmes entre, pai, mãe, filhos, amigos, tios, vizinhos, no ambiente organizacional...
Será que ao sermos coniventes com essa violência no nosso dia-a-dia, não estamos contribuindo com a falta de justiça. O caso da menina Isabella é vergonhoso, porém nos coloquemos no lugar da família que está acobertando o crime. Como eles pensam? Será que se Êlto-justificam%D como sendo um momento impensado do casal? Que mesmo tendo cometido tal brutalidade eles merecem uma chance? Porém, E se fosse nossa família, nosso irmão ou irmã, nosso filho(a)? Teríamos a mesma sede de justiça que temos agora?
Falo isso, por acreditar que uma vez que se deixa agredir sua moralidade, todo o mais é permitido.... vejamos, para um usuário de drogas se prostituir é muito mais fácil do que uma pessoa que não tem nenhum tipo de vício? ( não digo impossível e sim mas fácil) A meu ver, nossas leis existem e são suficientes, o porém é que temos formas diferenciadas de aplica-las, pois sempre iremos ponderar o grau de proximidade que temos com os acusados.
Acredito que mudaremos esse cenário, no momento que a educação e as cobranças passam a vir de nós, principalmente com os nossos. Afinal Ética é algo que fazemos quando ninguém está olhando. E o que vemos é muita falta de moralidade entre as pessoas.
Um abraço a todas!
Luciana Sessa
Escrito por:
- Luciana S.
- Gestora em Controladoria e R.Humanos da Transbananal Transportes Ltda
- quarta, 23 de abril de 2008 - 14:37
Olá Luciana,
Obrigado pelas suas palavras, estamos conversando sobre um tópico muito difícil sob todos os aspectos. Inclusive foi muito interessante sua colocação em relação à proximidade da família perante determinados fatores, e o seu grau de permissividade às leis, a moralidade, etc.
Só não posso concordar em relação à suficiência de nossas leis, que neste momento deixam diversos tipos de crimes à espera da lentidão da justiça, e consequentemente criminosos soltos, talvez, sem nenhum senso de moralidade.
Convido à todos pela inserção da "Sacralidade do Corpo" como matéria obrigatória nas escolas desde o maternal!
abraços no seu coração!
Olá, Delma! Tudo bem com vc?
Sim é impossível ficarmos impassiveis perante este crime. Bem como outros que ocorrem praticamente todos os dias e não são noticiados.
Interessante frisar que devemos colocar este fato a luz da razão.
O ciume não é uma prova de amor e sim de insanidade.E fatos movidos a luz da emoção insana somados ao ciume terminam tragicamente.
Acredito que haja tratamento para que a pessoa tenha um controle mas jamais deixara de ser ciumenta.
Infelizmente estes casos acontecem em números assutadores, ora a parte prejudicada não presta queixa ou não interessa a imprenssa noticiar a crise de ciumes de quem passa fome, pois não dá ibope...Parece baixaria...Ou é antiestético...
Escrito por:
- Marco A.
- Gestor Comercial da Jet - Serviços de TV por assinatura e internet
- quarta, 23 de abril de 2008 - 18:05
Marcos,
Você abordou muito bem a situação que existe atualmente em relações de ciúme, os problemas são familiares, expor crises de ciúme em delegacias, e depois voltar a conviver com o companheiro por necessidade ou até amor.
Participei de uma homenagem feita as mulheres, no carnaval em Olinda, eu estava em cima de um trio elétrico, e jogavamos rosas vermelhas para mulheres ao redor do carro, enquando o cantor, homenageava, dizendo que as mulheres mereciam uma salva de palmas, eram guerreiras, que as mulher devia ser amada, beijada, etc....trabalhadoras, heroínas, e que as rosas, elas mereciam receber.
Do alto, onde eu estava, vi um casal no meio da multidão que se aglomerava para pegar as rosas, o rapaz para evitar que a mulher que estava com ele apanhasse uma rosa, aplicou nela um golpe de gravata( estrangulamento com o braço) imobilizando-a, e ainda deu um tapa no rosto dela.
Você não tem idéia da sensação de impotência de minha parte naquele momento. Recife tem um alto índice de assassinatos de mulheres, são mortas por amor, desamor e ciúmes...
Abraços
Angela
