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Jabás: Veja não checou. E errou.

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Por falar em Veja, mudando um pouco de assunto, eu penso que a cobertura do referendo deva ser imparcial como uma campanha política. Se a Veja fez uma capa com sete motivos para votar não, ela não teria que fazer uma outra capa com sete motivos para votar sim? Ao meu ver seria como em época de segundo turno presidencial ela fazer uma capa com sete motivos para votar no Serra, ou em Lula. A imprensa pode ser parcial assim no referendo?

Escrito por:

Juliana S.
Assessora de imprensa da MB Assessoria de Imprensa
quinta, 13 de outubro de 2005 - 11:52
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Acho que não é ruim essa coisa da imparcialidade, traz um pouco da emoção do jornalismo antigo. O que não pode é ficar assumindo uma postura hoje, e amanhã mudar de idéia.

A revista Carta Capital assumiu, na época da campanha presidencial, estar do lado do Lula. Aliás, foi um editorial muito bonito do Mino Carta. E até hoje a revista evita estampar na sua capa manchetes negativas contra Lula. Já a Veja...

Se vão ser parciais, façam isso bem. Imparcial só no que interessa é hipocrisia.

Escrito por:

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sexta, 14 de outubro de 2005 - 23:31
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'Mensalinho' é boa. Cada vez mais, eu admiro a teatralidade escrita da galera da Veja.

Alvo de críticas ao longo desta semana, a reportagem da revista Veja cometeu, deliberadamente, erros que ferem os princípios básicos do bom jornalismo. A reportagem "O mensalinho da filha de Elis" atingiu em cheio duas de suas concorrentes: Época e IstoÉ, além da derivada IstoÉ Gente. Concorrência nas bancas à parte, a questão principal é a seqüência de deslizes cometidos por uma das mais importantes publicações do País, de propriedade da Editora Abril. Faltou à matéria, publicada na edição 1.925, de 05/10, cumprir um mandamento primordial: ouvir todas as partes envolvidas. E, não menos grave, publicou informações erradas.

O jornalista Luís Antônio Giron, de Época, foi o centro das acusações. A matéria de Veja afirma que ele recebeu um iPod (tocador portátil de MP3) da gravadora Warner e, em troca, teceu elogios à cantora Maria Rita tanto na publicação onde trabalha quanto na Bravo!, para onde escreve resenhas ocasionalmente. Não é verdade. A assessoria de imprensa da Warner confirmou que Giron "devolveu o iPod intacto", dia 15/09, dois dias depois de ter-lhe enviado o aparelho. Em um texto encaminhado por e-mail espontaneamente pelo jornalista ao Comunique-se nesta semana, Giron afirma que recebeu o iPod, sim, junto com CDs e DVDs. Descartou o iPod e ficou com o restante do material, que serviria de base para suas críticas. Para isso, consultou o diretor de redação e editor responsável de Época, Aluizio Falcão, no dia 14/09. Foi aconselhado a devolvê-lo sem usar e seguiu a instrução. A informação foi confirmada por Falcão.


A reportagem de Veja não está assinada. Pode ter sido escrita por uma ou mais pessoas. Uma delas é Sérgio Martins. Ao atender o telefonema da reportagem do Comunique-se, na quarta-feira (05/10), ele se limitou a informar que "o texto é de cunho editorial" e passar os contatos de quem deveria responder. No mesmo dia, foram feitas seguidas tentativas de contato por telefone com Eurípedes Alcântara, diretor de redação de Veja. Não houve retorno nem uma posição oficial. Nesta quinta, um mesmo e-mail foi enviado três vezes. O conteúdo: sete perguntas buscando a versão da revista (leia abaixo). Até a publicação desta matéria, nenhuma resposta foi encaminhada por e-mail.

Outro deslize: Veja afirma que 30 críticos de música receberam o equipamento, classificado de "jabá". Foram, na verdade, 12. O subtítulo: "gravadora presenteia jornalistas com iPods. E eles agradecem falando bem da cantora". No título, a associação com o mensalinho, escândalo que colocou holofotes na lama da corrupção para denunciar esquemas de falcatruas de políticos, é, no mínimo, exagerada. Os iPods ofertados aos jornalistas custam R$ 590,00 (valor abaixo da faixa de R$ 600,00 a R$ 1.000,00 mencionada pela revista). Uma passada de olho pelos jornais das últimas semanas basta para perceber que textos elogiosos ou críticos à cantora Maria Rita, que acaba de lançar um novo álbum, são conseqüências naturais de quem ganha espaço na mídia.

A Editora Três, outra acusada, não é "só flores" com a estrela. Faz, sim, elogios à cantora. Mas no texto de Mauro Ferreira, intitulado Segundo, sobre o CD de Maria Rita, publicado na mesma edição citada por Veja, ele diz que ela "tirou o peso de sua voz, mas conta com repertório irregular". Conceituou com apenas três estrelas o trabalho da artista. Uma avaliação nada positiva.

Na mira
Na semana em que a reportagem de Veja estava sendo fechada, Martins, um dos autores anônimos (ou único autor), contatou a redação da Bravo!, publicação especializada em cultura, também da Editora Abril. Soube que a Bravo! não recebera o iPod, mas que Giron, sim. Giron tem emprego fixo em Época, mas escreve para Bravo!. Se tivesse tentado contato com Giron nesse dia, Martins teria conseguido checar a informação e mudar a matéria. Giron escreveupara essa revista uma resenha, que Veja considerou elogiosa. Não critica, é verdade. Elogia, moderadamente, assim como outros veículos. Nada que lembre o Mensalinho ou coloque o autor sob suspeita, no nível do ex-deputado Severino Cavalcanti. Aliás, Giron faz uma comparação indigesta, da qual a própria Maria Rita procura se esquivar: entre ela própria e a mãe, Elis Regina, morta no início dos anos 80 (leia o texto de Bravo! na íntegra).

No final da manhã de sexta-feira (30/09), Giron recebeu um telefonema dos companheiros de Bravo!. "Você está na lista do Mensalinho", informou um colega, que ficara sabendo disso pelo próprio Martins. Giron passou parte do dia tentando entrar em contato com a redação de Veja. Sem sucesso. Só foi atendido quando a revista já estava praticamente fechada. O máximo que conseguiu foi encaminhar um e-mail em sua defesa, que foi publicado por Veja, mas, segundo ele, editado.

Se contasse com dados verdadeiros, Veja causaria um escândalo. "Um dos objetivos da matéria era, sem dúvida, me atingir, pois trabalho numa empresa e escrevo para a concorrente", acusa Giron. "Um dos autores da matéria é ele", denuncia, referindo-se a Martins. A informação foi checada pelo Comunique-se e confirmada por uma fonte ligada a Martins. "O Martins trabalhou comigo há muito tempo, no [extinto] Notícias Populares. Ele participou do caso da Escola Base."

A Revista IstoÉ Gente defendeu-se das acusações em sua edição online. Sinal de que Veja provocou um desconforto nos colegas de mercado. Época vai se defender na edição que vai às bancas no final desta semana.

E-mail
A assessoria de imprensa da Warner optou por não atender o pedido do Comunique-se de identificar os 12 veículos que receberam iPod. Alegou que não pretendia expor profissionais aos ataques da revista publicada pela Abril. Segundo a assessora Gilda Matoso, a matéria pode ter sido motivada pelo fato de Maria Rita ter recusado uma exigência de Veja para conceder uma entrevista exclusiva anos atrás. A partir de então, matérias negativas sobre a cantora teriam começado a ser publicadas. Esta questão é uma das sete que foram levadas à direção de Veja, que não retornou os telefonemas nem respondeu os e-mails enviados pela editora do Comunique-se, Miriam Abreu, por três vezes. Leia a íntegra do e-mail de autoria do Portal, que não obteve resposta:

Caros Eurípedes Alcântara e Marcos Sabino,

Temos tentado manter contato com a direção de Veja para fazer uma série de perguntas baseadas na reportagem “O mensalinho da filha de Elis”, publicada na página 115, da edição 1925, datada de 5 de outubro de 2005. Ontem, ligamos insistentemente para conseguir uma posição desta conceituada publicação. Como não obtivemos resposta para cada pergunta, enviamos abaixo as questões da entrevista que precisamos fazer para esclarecer nossa matéria.

Em respeito aos cerca de 500 mil leitores do Comunique-se, dos quais 120.000 são jornalistas, incluindo profissionais da própria Veja, assessores de comunicação, RPs e estudantes de jornalismo, faz parte do nosso trabalho apurar este caso e dar o devido retorno a esta comunidade.

Atenciosamente,

Miriam Abreu
Editora

1 – Luís Antônio Giron, da Época, afirma que, em conversa com Sérgio Martins, repórter desta revista, este disse que a matéria “O mensalinho da filha de Elis” foi “encomendada”. Isso é verdade?

2 – Vocês também receberam o iPod? Se sim, o que fizeram com ele? E se devolveram, quando isso foi feito? Têm algum documento que possam enviar à redação do Comunique-se para provar a devolução à Warner?

3 – Segundo a assessoria de imprensa da Warner, a reportagem em questão seria uma retaliação à tentativa frustrada de Veja de obter uma entrevista exclusiva com Maria Rita no lançamento do primeiro CD da cantora. O que vocês têm a dizer sobre isso?

4 – Luís Antônio Giron, da Época, Mariane Morisawa, da Istoé Gente, e Dib Carneiro, do Estadão, afirmam que a Veja publicou a matéria sem ouvir os dois lados, não cumprindo uma regra básica do bom jornalismo. É verdade que vocês não ouviram nenhum profissional destes três veículos citados, além daqueles citados na reportagem em questão?

5 – O envio de brindes como demonstrativo do lançamento de produtos é algo que existe desde de sempre. Editoras enviam livros, muitas vezes de alto valor, para serem avaliados. Jornalistas de turismo são convidados para passar fins de semana, com direito a acompanhante, para avaliação de um novo hotel de luxo etc. Considerando então que não se trata de fato novo e que a Veja, como todos os demais veículos de imprensa, já tinha conhecimento desta prática, por que somente agora decidiu abordar esse assunto, dedicando uma página a um tema tão antigo? Considerando que o objetivo da Veja, como de todos os demais veículos, é informar a sociedade, por que a revista não prestou este serviço anteriormente?

6 –Profissionais do Comunique-se, formado por 15 jornalistas que cobrem jornalismo, consideraram descabida a comparação deste caso ao de corrupção, batizado de mensalão. Dado que foram enviados aparelhos, de baixo custo (us$ 99), carregados com as músicas da própria cantora, com objetivo de divulgação. A Veja acredita que isso realmente pode ser caracterizado como mensalinho?

7 – Na apuração parcial acerca de matérias publicadas sobre o lançamento do CD da cantora Maria Rita, feita hoje pelo Comunique-se, verificou-se que muitos veículos que não receberam o aparelho dão destaques positivos à cantora Maria Rita em suas críticas de música. Isso indica que, para obter elogios da imprensa, essa e outras artistas não precisam comprar a opinião da imprensa, sobretudo por valores baixos, como R$ 600, R$ 1000 ou US$ 99 (preço de um mini-iPod em sites de e-Commerce dos Estados Unidos). A direção de Veja considera possível que veículos de grande expressão se vendam por um aparelho de US$ 99?


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Leia também:
Leia o texto de Giron publicado pela Bravo!
Jornalistas repudiam acusação de jabá
Jornalista da Época rebate acusação de receber jabá feita pela Veja
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terça, 19 de outubro de 2010 - 21:11
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