NÃO TENHA UM ENFARTE, DELEGUE !
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"A DELEGAÇÃO É, SEM SOBRA DE DÚVIDAS, A PRINCIPAL MEDIDA PARA PREVENIR O QUADRO DO PERFIL DO ENFARTADO. MAS É PRECISO DEFINIR BEM O QUÊ E COMO"
Detalhismo, perfeccionismo e estresse formam o “perfil do enfartado”. Para fugir dele, o melhor remédio é a delegação de responsabilidades.
Dois dos maiores consumidores de tempo de quem tem responsabilidade executiva são o detalhismo e o perfeccionismo. E é natural que seja assim, afinal, é muito difícil ter-se uma coisa bem-feita sem que tenha sido cuidada nos detalhes e, naturalmente, isso consome tempo.
Kerry Gleeson, autor do bem-cuidado livro “O Programa de Eficiência Pessoal – Como se Organizar para Produzir Mais em Menos Tempo!” (Makron Books, São Paulo, 1997), dá um depoimento interessante: “Uma vez perguntei a um homem muito rico e bem-sucedido o segredo do seu sucesso. Ele me contou em duas palavras: “Detalhe, detalhe””.
Coisa semelhante se pode dizer do perfeccionismo. Sem o cuidado insistente com a qualidade, as coisas não saem bem-feitas, de acordo com o padrão de quem é criterioso e exigente com o que faz. E isso, também, consome tempo. É interessante o depoimento do dramaturgo Bernard Shaw sobre o tema:
“Quando era jovem, descobri que nove de cada dez coisas que eu fazia eram um fracasso. Eu não queria ser um fracasso. Então passei a trabalhar dez vezes mais”.
O problema não está propriamente em ter essas características, que são, como se pode depreender dos depoimentos, ingredientes importantes do sucesso profissional. O problema está em dar-lhes contornos excessivos, que, não raro, adquirem conotações patológicas e transformam-se em consumidores vorazes do recurso mais escasso de quem tem responsabilidade gerencial: o tempo.
Acontece que, como ingredientes importantes do sucesso profissional, o detalhismo e o perfeccionismo tendem a se transformar em obstáculos ao bom desempenho executivo, porque dificultam, às vezes a ponto de tornar impossível, um dos principais poupadores de tempo de que dispõe o gerente: a delegação.
Nas situações extremas, mas infelizmente não incomuns, o empresário detalhista e perfeccionista vê-se sobrecarregado de trabalho, sem tempo para nada, com grande dificuldade de delegar responsabilidades. Resultado: com o passar do tempo sobrevém o estresse. Monta-se aí, na expressão de um especialista, o “perfil do enfartado”.
A delegação é, sem sombra de dúvidas, a principal medida de prevenção para esse quadro indesejável. Todavia, para se constituir num recurso de sucesso, deve ser feita com base nos objetivos (o quê), não no processo (como). Etephen Covey, no famoso livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Muito Eficazes” (Editora Best Seller, São Paulo), dá uma definição importante:
“A delegação administrativa está focalizada nos resultados, e não nos métodos. Ela dá às pessoas uma oportunidade de escolher o método e as torna responsáveis pelos resultados. Leva mais tempo, no começo, mas trata-se de um tempo bem gasto”.
Para que a delegação possa, portanto, funcionar como preventivo eficaz da situação extrema e ferramenta gerencial por excelência da poupança de tempo, é preciso que seja praticada com determinação e paciência pelo gerente detalhista.
Com determinação, para superar o compreensivo, mas danoso sentimento de que só ele sabe fazer no padrão desejado.
Com paciência, para orientar e fazer retornar à tarefa tantas vezes quanto necessário.
Afinal, uma das principais causas de insucesso na delegação é a pessoa que recebeu a tarefa devolvê-la, quase que de propósito, fora do padrão. Antes de se incluir irremediavelmente no grupo de risco coronariano, delegue. Seu coração vai agradecer.
·Francisco Carneiro da Cunha
Editor da Newsletter Gestão Hoje
Revista Mascate
Escrito por:
- José N.
- À Disposição da Secretaria de Defesa Social - PE
- quarta, 26 de outubro de 2005 - 16:42
Fantástico o artigo.....olha caiu como uma luva...Parabéns ! Mas é isso mesmo, nós nos cobramos muito, e nem sempre a excelência é necessária.
Obrigada pelo artigo.
Abraços
Janice
Editada em: quinta, 27 outubro, 2005 - 10:03
Escrito por:
- Janice R.
- Sócia / Diretora da JARCONSULT Soluções Empresariais Ltda.
- quinta, 27 de outubro de 2005 - 10:02
Jose, Janice e Liz, voces estão em sintonia com o processo de delegar. Concordo que é de suma importância preparar as pessoas para receberem a delegação de poderes, que por sinal, foi abordado pela Liz com muita propriedade.
O que tenho visto pela minhas andanças por aí é atribuição de responsabilidade e não delegação de poderes a pessoas que não foram preparadas adequadamente, e em muitas situações, acabam sendo penalizadas por não obterem os resultados esperados com a pena capital do desemprego, linxamento intelectual, emocional e as vezes até moral.
Quero ressaltar, que delegar não é transferir responsabilidade como muitos pensam e praticam no dia a dia em muitas organizações dos mais variados portes e segmentos.
Escrito por:
- placido s.
- Diretor da enterprise global service consulting
- quinta, 27 de outubro de 2005 - 14:53
Liz e demais do Grupo,
Não tenho nada a acrescentar que modifique o que brilhantemente foi dito e escrito.
Nos meus cursos de liderança tenho observado que o estilo de liderança "delegador" é pouco utilizado pelos líderes, mas isso já é uma moutra história.
Um abraço,
Armando
Escrito por:
- Armando P.
- Diretor- Proprietário da Pensare Consultoria
- domingo, 30 de outubro de 2005 - 10:58
