UMA HISTÓRIA POR DIA! Ou quase....
- Tags:
- contadoresdehistoria
Aproveitando o poema enviado pelo Marcus e a resposta que lhe dei, em forma de história, convido a vc. a participar desta comunidade, deixando aqui uma história que vc. goste (pode ser um poema, uma música ou uma hsitória inventada por vc.) Uma história que nos faça pensar, que alegre nossa alma, que nosa faça sonhar e que possa ser contada para outras pessoas, e outras, e outras...
Atualizada em: terça, 13 março, 2007 - 08:03
Atualizada em: terça, 13 março, 2007 - 08:03
O vestido azul
________________________________________
Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas. O professor ficou penalizado com a situação da menina.
- "Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal arrumada?".
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear seus cabelos, cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou: "mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e plantar um jardim."
Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.
Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.
E tudo começou com um vestido azul.
Atualizada em: terça, 13 março, 2007 - 16:59
A CERCA
Havia um garoto que tinha um comportamento muito difícil.
Perdia a paciência por qualquer coisa, irritava-se com facilidade.
O pai desse garoto deu-lhe um saco com pregos e disse que, toda vez que ele perdesse a paciência, deveria martelar um prego na cerca.
No primeiro dia o garoto enfiou 37 pregos na cerca.
Em algumas semanas, conforme ia aprendendo a controlar seu temperamento, o número de pregos martelados por dia foi diminuindo gradativamente.
Ele descobriu que era mais fácil controlar seu temperamento do que martelar todos aqueles pregos.
Finalmente chegou o dia em que o garoto não perdeu a paciência.
Então ele contou a seu pai, e este sugeriu que ele retirasse um prego a cada dia que ele conseguisse controlar sua irritação.
Chegou o dia em que ele havia retirado todos os pregos da cerca.
Então o pai segurou a mão do menino e disse: você foi muito bom meu filho, mas olha os buracos na cerca, ela jamais será a mesma.
Quando você diz coisas com raiva, tais coisas deixam cicatrizes exatamente como essas.
Você pode enfiar uma faca num homem e retirar.
Não importa quantas vezes você peça desculpas, o buraco vai está ali do mesmo jeito.
O ferimento verbal é tão ruim quanto o físico.
Pessoas são jóias muito raras.
Escrito por:
- Alessandra Z.
- Consultora de RH da Baker Tilly Brasil
- terça, 13 de março de 2007 - 16:14
Alessandra, boa tarde!
Obrigada por sua contribuição...
Muito jóia! Alguém que mandar uma história para amanhã???
Yeda
Boa noite!
Apesar de ser uma história muito conhecida, gosto bastante e penso que possa ser nova para alguns integrantes.
Marcus
O MONGE MORDIDO
Um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada . Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
Mestre deve estar muito doente! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda, picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.
Autor desconhecido
Bom dia!
Como hoje é o dia da poesia, deixarei um poema meu (que tem um ar de história)
O homem que contava...
Um.. dois... três...
dizem que ele mal pronunciou
o primeiro fonema
e já contou os dedos da mão.
E não demorou
a fazer somas
entre pêras e laranjas.
À beira da linha de ferro,
passou a infância,
contando trens e vagões _
multiplicou-os pelos anos de vida
e, numa regra de três,
contabilizou o que seria
a sua história.
Contou todos os seus dias de criança
e na adolescência
o fez em inglês
(four thousand, for hundred and sixty six%6).
Contou suas espinhas...
contou os intervalos dos crescentes pêlos pubianos...
contou os beijos mais ingênuos...
contou os amores imaginários %3
contou as vezes que chamou, apaixonadamente,
por Sandra antes de dormir.
Sabia calcular, de cabeça,
os minutos que já vivera
e nesta época
começara a ser nomeado
como o apontador de miudezas.
Casou-se e tabulou
os centímetros de seus filhos,
suas febres e graus,
suas regurgitações
e o tempo das primeiras
palavras e números.
Envelheceu fazendo
tratados econômicos dos pequenos
vermes e plantas,
observando a simetria dos equinócios,
averiguando as gotas de chuva
necessárias para preencher
os canteiros de copos-de-leite...
e durante anos tentou estabelecer
fórmulas para identificar a idade dos ciscos.
Teve tempo de contar netos e bisnetos %3
e há quem diga,
que até no último suspiro,
ainda contou
uma fileira de formigas na parede
e as derradeiras pulsações
como se ouvisse, em adágios,
os contos de fadas na voz de sua mãe
que há tempos o destino lhe subtraiu.
Ainda hoje, na praça do tempo,
os velhos amigos relembram
e dizem que Cândido
foi o maior contador de histórias do mundo,
da vida e de suas pequenas infinidades.
Marcus Vinicius P. Oliveira
UAU!!!! Nossa, Marcus, muito intenso seu poema!!!! Dá para imaginar direitinho o homem passando ao longo de sua vida...
Que encanto!!!! E como vc. deixou um poema e uma história, estas ficam valendo por hoje... 14 de março!!!
Um ótimo dia a todos,
Com carinho
Yeda Cris
Com sua voz de mulher
Marina Colasanti
Aquele deus era dono daquela cidade como um mortal seria dono de fazenda ou sítio. Não era grande a cidade. O templo, casas, e campo ao redor. Mas porque era dono daquela cidade, o deus era também responsável pela felicidade dos seus habitantes.
E um dia, pelas preces, percebeu que os habitantes não eram felizes.
- Nada lhes falta %3 disse o deus, em voz alta. %3 cuido para que as estações se sigam em boa ordem. Garanto-lhes colheita no campo e comida na mesa. Nenhum grão apodrece nas espigas. Nenhum ovo gora nos ninhos. E seus filhos crescem. Por que então não são felizes?
Porem os homens desconhecem as perguntas dos deuses. E embora tivesse falado em voz tão alta que poderia ser ouvida de uma estrela a outra, ninguém lhe respondeu.
A cidade estava na palma da mão do deus. E ainda assim tão longe que ele não via os sentimentos daquelas pessoas. - Irei até lá %3 disse a alta voz. %3 Entre eles, verei melhor que se passa.
E tendo decidido, abriu seus imensos guarda-roupas à procura de uma identidade com a qual apresentar-se no mundo dos mortais. Havia ali peles e couros de todos os animais, da lisa pele da gazela à áspera couraça do rinoceronte. O pescoço da girafa pendia de um cabide, plumas coloridas despontavam na prateleira e numa gavetinha enfileiravam-se as preciosas carapaças dos insetos. Mas dessa vez não seria como animal que desceria à terra. Remexeu entre as peles dos humanos, suspendeu uma escura, bronzeada de sol, hesitou por um instante. Depois escolheu a mais lisa e macia, fechou-se bem dentro dela, cobriu-se com uma túnica. E desceu.
E eis que aquela mulher de longos cabelos apareceu na cidade dizendo que era deus, e ninguém acreditou. Fosse deus, teria vindo como guerreiro, herói, ou homem poderoso. Fosse deus, apareceria como leão, touro bravio ou águia lançando-se das nuvens. Até o crocodilo e a serpente poderiam abrigar deus em seu corpo.
Atualizada em: quinta, 15 março, 2007 - 08:29
Mas uma mulher vinda das ruas estreitas nada mais podia ser que uma mulher.
E assim o deus prendeu seus longos cabelos sobre a nuca e foi procurar um trabalho. Mas a uma mulher não se dá trabalho de ferreiro, nem se põe na carroça a conduzir cavalos. Uma mulher não é aquela que comanda soldados. Uma mulher não é sequer aquela que conduz o arado. E depois de muita procura, o deus-mulher só conseguiu empregar-se em uma casa para ajudar nas tarefas domésticas.
Era uma boa casa a que a acolheu. A esposa diligente, o marido trabalhador. Poeira não se juntava nos cantos, embora a trouxessem em suas sandálias. E os filhos cresciam como crescem filhos que não tem doenças. Porém, pouco sorriam. Cumpriam suas tarefas de dia. À noite juntavam-se no estábulo para aproveitar o calor dos animais. As mulheres fiavam. Os homens consertavam ferramentas ou faziam cestos. Ninguém falava. As noites eram longas depois de longos dias. Os humanos se entediavam.
Até mesmo o deus, de fuso na mão, se entediava. E uma noite, não suportando a mesmice dos gestos e do silêncio, abriu a boca e começou a contar.
Contou uma história que se havia passado no seu mundo, aquele mundo onde tudo era possível e onde viver não obedecia regras pequenas como as dos homens. Era uma longa história, uma história como ninguém nunca havia contado naquela cidade onde não se contavam histórias. E as mulheres ouviram de olhos bem abertos, enquanto o fio saía fino e delicado entre seus dedos. E os homens ouviram esquecidos de suas ferramentas. E o menino que chorava adormeceu no colo da mãe. E as outras crianças vieram sentar-se aos pés do deus. E ninguém falou nada enquanto ele contava, embora em seus corações todos estivessem contando com ele.
A noite foi curta aquela noite.
Na noite seguinte, reunidos todos no estábulo, como todas as noites, o deus não falou. As mulheres olhavam para ele de vez em quando, por cima do fuso. Os homens evitavam fazer barulho, deixando o silêncio livre para ele.
Atualizada em: quinta, 15 março, 2007 - 14:58
Bom dia Pessoal,
Olha essa é bem antiga, mas gosto muito.
Lobos internos
Um velho avô Índio disse ao seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo, que lhe havia feito uma injustiça.
"Deixe-me contar-lhe uma história.
Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que me fizeram tanto mal, sem qualquer arrependimento das conseqüências
de seus atos.
Todavia o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos.
E ele continuou:
"É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não teve a intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, de maneira correta.
Mas, o outro lobo, ah!, este é cheio de raiva. Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar porque sua raiva e ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma!
Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.
"O garoto olhou intensamente nos olhos do avô e perguntou:
" Qual deles vence, vovô?
O velho índio sorriu e respondeu baixinho:
"AQUELE QUE EU ALIMENTO MAIS FREQUENTEMENTE DENTRO DE MIM".
