TERCEIRO SEGREDO
QUATRO CAMINHOS CONDUZEM À UNIDADE
A partir deste ponto, todos os segredos espirituais, o que quer dizer a vasta maioria, dependem de você aceitar a existência de uma realidade única. Se você ainda pensa que essa é uma idéia especial, defendida por uma terceira pessoa, a sua experiência de vida não vai mudar. A realidade única não é uma idéia e sim uma entrada para uma forma completamente nova de participar da vida. Imagine o passageiro de um avião que não sabe que voar é possível. Quando o avião decola, ele entra em pânico e tem pensamentos como “O que está nos sustentando no ar? E se este avião for pesado demais? O ar não pesa nada e este avião é todo feito de aço!”. Mergulhado nas próprias percepções, o passageiro, apavorado, perde completamente a capacidade de manter o controle; ele está encurralado em uma experiência que poderá conduzir ao desastre.
Na cabine do piloto, esse se sente bem mais no controle da situação porque foi treinado para voar. Ele conhece a aeronave e entende os controles do avião que opera. Por conseguinte, não tem motivo algum para entrar em pânico, embora no recôndito de sua mente o perigo da possibilidade de uma falha mecânica esteja sempre presente. O desastre poderá acontecer, mas esta situação está fora de seu controle.
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Avançamos agora para o projetista de aviões a jato, que é capaz de construir qualquer aeronave que deseje, baseado no princípio do vôo. Ele ocupa uma posição de mais controle do que a do piloto, porque se ele continuasse a fazer experiências com vários tipos de projetos poderia criar um avião incapaz de cair (talvez uma espécie de planador com um aerofólio que nunca estola, independentemente do ângulo de descida do mergulho).
Essa progressão de passageiro para piloto e projetista simboliza uma jornada espiritual. O passageiro está preso no mundo dos cinco sentidos e só consegue perceber o vôo como algo impossível porque quando o aço é comparado ao ar, o metal só parece capaz de cair através dele. O piloto conhece os princípios do vôo, que transcendem os cinco sentidos recorrendo a uma lei mais profunda da natureza (o princípio de Bernoulli), pela qual o ar que circula sobre uma superfície curva cria um movimento de subida. O projetista transcende ainda mais, conseguindo que as leis da natureza alcancem o efeito que ele quer. Em outras palavras, ele está mais perto da fonte da realidade, agindo não como uma vítima dos cinco sentidos, e sim como um co-criador ao lado da natureza.
Você pode fazer pessoalmente essa jornada. Ela é mais do que simbólica, porque o cérebro, que já está fabricando cada visão, som, toque, gosto e cheiro que você experimenta, é uma máquina quântica. Os átomos cerebrais estão em contato direto com as leis da natureza, e através da mágica da consciência, quando você tem um desejo, o cérebro envia um sinal para a origem da lei natural. A definição mais simples de consciência é a percepção consciente; são expressões sinônimas.
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Certa vez, em uma conferência de negócios, um executivo me procurou, exigindo uma definição de consciência que fosse prática e concreta. Inicialmente quis responder que a consciência não pode ser definida de forma concreta, mas dei comigo dizendo o seguinte, sem pensar: "consciência é o potencial para toda a criação." O rosto dele se iluminou quando ele, de repente, compreendeu. Quanto maior a nossa consciência, maior o nosso potencial para criar. A consciência pura, por ser a base de tudo, é puro potencial.
Você precisa fazer a seguinte pergunta: você quer ser vítima dos cinco sentidos ou um co-criador? Eis as opções:
A CAMINHO DA CRIAÇÃO
Dependente dos cinco sentidos: separação, dualidade, baseado no ego, sujeito ao medo, desapegado da origem, limitado no tempo e no espaço.
Dependente da lei natural: no controle, menos sujeito ao medo, recorre aos recursos naturais, inventivo, compreensivo, explora a vastidão do tempo e do espaço.
Dependente da consciência: criativo, possui intimidade com a lei da natureza, próximo à origem, os limites se dissolvem, as intenções se transformam em resultados, além do tempo e do espaço.
A consciência é tudo que muda na jornada que vai da separação em direção à realidade única. Quando você depende dos cinco sentidos, tem consciência do mundo físico como uma realidade primária. Nesse mundo, você precisa vir em segundo lugar porque se vê como um objeto sólido, formado por átomos e moléculas. O único papel da sua consciência é olhar para o mundo "lá fora".
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Atualizada em: quinta, 12 julho, 2007 - 00:11
Os cinco sentidos são extremamente enganadores. Eles nos dizem que o sol nasce no leste e se põe no oeste, que a Terra é plana, que um objeto feito de aço não poderia de modo algum ser sustentado no ar. O estágio seguinte da consciência depende de leis da natureza às quais chegamos por meio do pensamento e da experiência. O observador não é mais vítima do engano. Ele é capaz de entender a lei da gravidade usando a matemática e experiências de pensamento. (Newton não precisou sentar-se debaixo de uma árvore e fazer com que uma maçã de verdade caísse sobre sua cabeça; ele pôde realizar uma experiência através do pensamento usando imagens e os números que se ajustam à elas. Esse foi o processo que ele seguiu, o mesmo que Einstein quando imaginou como a relatividade funcionava.)
Quando o cérebro humano pensa nas leis da natureza, o material ainda está "lá fora" para ser explorado. Mais poder foi obtido sobre a natureza, mas se esse era o tipo supremo de consciência (como muitos cientistas acham que é), a utopia seria um triunfo tecnológico.
No entanto, o cérebro não se pode colocar de lado para sempre. As leis da natureza que mantém aviões no ar também se aplicam a cada elétron do cérebro. Um dia alguém tem de perguntar: "Quem sou eu que estou pensando tudo isso?" É essa a pergunta que conduz à pura percepção consciente, pois quando eliminamos todos os pensamentos do cérebro (como no estado de meditação), a consciência se mostra como não sendo vazia, nula e passiva. Além dos limites do tempo e do espaço, um processo - e apenas um - está acontecendo. A criação está criando a si mesma, usando a consciência como sua argila modeladora. A consciência se transforma em coisas no mundo objetivo e em experiências no mundo subjetivo. Decomponha qualquer experiência até o seu elemento mais básico e você obterá ondulações invisíveis no campo quântico; decomponha qualquer objeto até o seu elemento mais fundamental e você também obterá ondulações no campo quântico.
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Atualizada em: quinta, 12 julho, 2007 - 00:12
Não existe qualquer diferença e, por um golpe supremo de mágica, o cérebro humano não precisa ficar alheio ao processo criativo. Simplesmente ao prestar atenção e ter um desejo, você liga o interruptor da criação.
Quer dizer, você o liga se souber o que está fazendo. A vítima dos cinco sentidos (o homem pré-científico) e o explorador das leis da natureza (cientistas e filósofos) são tão criativos quanto as pessoas que estejam experimentando a consciência pura (sábios, santos, xamâs, siddhas, bruxos %3 escolha o rótulo que quiser). Mas acontece que eles acreditam em limitações que são auto-impostas e, por isso, essas limitações se transformam em realidade. A glória da jornada espiritual é idêntica à ironia dela: você só adquire o poder total quando compreende que usou o tempo todo esse poder para se prejudicar. Você é potencialmente uma combinação do prisioneiro, do carcereiro e do herói que abre a prisão.
Sabíamos instintivamente disso o tempo todo. Existe nos contos de fadas uma conexão mágica entre as vítimas e os heróis. O sapo sabe que é um príncipe, precisando apenas do toque mágico para recuperar a sua verdadeira condição. A maioria dos contos de fadas coloca a vítima em perigo, incapaz de quebrar o encantamento enquanto a mágica não vier de fora. O sapo precisa de um beijo, a Bela Adormecida de alguém que atravesse o muro de espinhos, a Cinderela de uma fada madrinha com uma varinha de condão. Os contos de fadas simbolizam uma crença na magia que brota das partes mais antigas de nosso cérebro, mas eles também lastimam que não sejamos mestres dessa magia.
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Esse dilema tem frustrado todas as pessoas que tentaram abraçar a realidade única. Mesmo quando alcançamos a sabedoria e compreendemos que nosso cérebro está produzindo tudo à nossa volta, o interruptor que controla a criação nos escapa. No entanto, existe um jeito. Por trás de qualquer experiência há um experimentador que sabe o que está acontecendo. Quando eu descobrir uma forma de me colocar no lugar em que se encontra o experimentador, estarei no ponto imóvel ao redor do qual o mundo inteiro gira. Chegar lá é um processo que começa aqui e agora.
Toda experiência chega até nós de uma entre quatro maneiras: como um sentimento, um pensamento, uma ação ou simplesmente como uma sensação de ser. Em momentos inesperados, o experimentador encontra-se mais presente nessas quatro coisas do que habitualmente. Quando isso acontece, sentimos uma mudança, uma leve diferença com relação à nossa realidade ordinária. Eis uma relação dessas mudanças sutis, extraídas de um bloco de anotações que tive ao meu lado durante várias semanas:
SENTIMENTOS
Uma leveza no corpo.
Uma sensação fluente ou ondulante no corpo.
A sensação de que tudo está bem, que estou em casa no mundo.
Um sentimento de paz total.
A sensação de chagar a um estado de repouso, como se um carro em velocidade tivesse parado suavemente.
O sentimento de ter aterrissado em um lugar macio, onde estou em segurança.
O sentimento de que não sou o que pareço ser, que tenho representado um papel no qual não sou o verdadeiro eu.
O sentimento de que alguma coisa se encontra além do céu ou atrás do espelho.
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PENSAMENTOS
"Eu sei mais do que acredito saber."
"Preciso descobrir o que é real."
"Preciso descobrir quem realmente eu sou."
Minha mente está ficando menos inquieta; ela quer se acalmar.
Minhas vozes interiores ficaram muito quietas.
Meu diálogo interior parou de repente.
AÇÕES
Sinto de repente que minhas ações na verdade não são minhas.
Sinto um poder maior agindo por meu intermédio.
Minhas ações parecem simbolizar quem sou e por que estou aqui.
Estou agindo com total integridade.
Desisti de querer controlar as coisas e o que eu queria simplesmente veio em minha direção.
Desisti de lutar e, em vez de as coisas se desintegrarem, elas melhoraram.
Minhas ações fazem parte de um plano que mal consigo vislumbrar, mas sei que precisa existir.
SER
Compreendo que cuidam de mim.
Compreendo que minha vida tem um propósito, que sou importante.
Sinto que os eventos aleatórios não são na verdade aleatórios e formam padrões sutis.
Percebo que sou único.
Compreendo que a vida tem a capacidade de dirigir a si mesma.
Sinto-me atraído para o centro das coisas.
Compreendo com assombro e admiração que a vida vale infinitamente a pena.
Essa lista pode parecer muito abstrata porque tudo nela gira em torno da consciência. Não registrei os milhares de pensamentos, sentimentos e ações que se concentraram em coisas externas. É claro que, como todo mundo, eu estava pensando no meu compromisso seguinte ou correndo para não chegar atrasado a algum lugar, aborrecido por causa do trânsito, feliz ou mal-humorado, confuso ou inseguro, concentrado ou distraído. Tudo isso é como o conteúdo de uma valise mental. As pessoas enfiam milhares de coisas na mala. No entanto, a percepção consciente não é uma valise tampouco as coisas que você empurra para dentro dela.
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Atualizada em: quinta, 12 julho, 2007 - 00:14
A percepção consciente é apenas ela mesma - pura, ativa, alerta, silenciosa e cheia de potencial. Às vezes no aproximamos da experiência desse estado puro e, nessas ocasiões, uma das pistas que relacionei, ou algo semelhante, ascende à superfície em vez de ficar escondida. Algumas pistas são palpáveis; elas surgem como inegáveis sensações no corpo. Outras se manifestam em um nível sutil difícil de vislumbrar: o estremecer inesperado de alguma coisa chama a sua atenção. Se você notar mesmo que uma única pista desse tipo, terá nas mãos um fio que poderá conduzi-lo além do pensamento, do sentimento ou da ação. Se existe apenas uma realidade, toda indicação precisa necessariamente levar ao mesmo lugar onde as leis da criação operam livremente, que é a própria consciência.
Quando você começar com uma pista promissora, como se livrar do domínio do ego? Esse último protege ferozmente a visão de mundo dele, e todos já vivenciamos como qualquer experiência pode ser frágil e passageira quando não se encaixa no nosso arraigado sistema de crenças. Sir Kenneth Clark, o famoso especialista inglês em história da arte, descreve em sua autobiografia uma epifania em uma igreja na qual ele de repente percebeu, com total clareza, que uma presença universal o estava invadindo. Sentiu além do pensamento uma realidade sublime, repleta de luz, amorosa e sagrada. Naquele momento ele teve uma escolha: poderia prosseguir essa realidade transcendental ou retornar à arte. Ele escolheu a arte, sem apologia. A arte, mesmo que não chegue à altura da realidade maior, era o amor eterno de Clark. Ele estava escolhendo um infinito a outro, a infinitude de belos objetos à infinitude da percepção consciente invisível. (Existe um cartum espirituoso que mostra uma placa de sinalização no ponto de bifurcação de um caminho. A mão de um dos sinais da placa aponta para "Deus" e outra para "Discussões a respeito de Deus". Nesse caso, os sinais poderiam ser mudados para "Deus" e "Imagens de Deus".)
Cont
Atualizada em: quinta, 12 julho, 2007 - 00:17
Muitas outras pessoas tiveram escolhas semelhantes. Para remover o mundo físico que você já conhece, é preciso explicar uma indicação. Os fios da experiência têm de urdir um novo padrão porque, na condição de filamentos separados, são frágeis demais para competir com o drama familiar de prazer e dor que nos controla a todos.
Analise novamente a lista. Os limites entre as categorias são indistintos. Existe apenas leve diferença entre sentir que estou seguro, por exemplo, e saber que estou seguro. A partir daí posso prosseguir para agir como se eu estivesse seguro e, finalmente, compreendo, sem qualquer sombra de dúvida, que toa a minha existência sempre esteve segura desde que nasci. Eu estou seguro. Sob o aspecto prático, é isso que significa urdir um padrão totalmente novo. Se eu pegar qualquer outro item da lista, poderei urdir interligações semelhantes. À medida que reúno o pensamento, o sentimento, a ação e o ser, o experimentador se torna mais real; estou aprendendo a me colocar no lugar dele. Posso então testar essa nova realidade para ver se ela tem força suficiente para substituir a imagem mais velha e desgastada de mim mesmo.
Talvez seja interessante você parar um momento e fazer exatamente isto: escolha um item que chame a sua atenção - uma sensação ou pensamento que você consiga se lembrar de ter tido - e conecte-o às outras três categorias. Digamos que você escolha "percebo que sou único". Excepcionalidade significa que não existe alguém exatamente igual à você. Que sentimento acompanharia essa compreensão? Talvez um sentimento de força e auto-estima, ou a sensação de ser como uma flor com a sua fragrância, forma e cor exclusivas. Há também a sensação de se sobressair na multidão e sentir orgulho disso. Você pode então pensar o seguinte: "Não preciso imitar ninguém."
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Atualizada em: quinta, 12 julho, 2007 - 00:19
Com esse pensamento, você poderia começar a se libertar da opinião dos outros a seu respeito, o que geraria desejo de agir com integridade, de mostrar ao mundo que você sabe quem é. Assim sendo, um novo e completo padrão emerge de uma minúscula sensação; você encontrou o caminho que leva à expansão da percepção consciente. Se você perseguir um vislumbre momentâneo de consciência, constatará a rapidez com que ele se expande; um único fio conduz a uma complexa tapeçaria. Não obstante, essa metáfora não é capaz de explicar o que fazer para mudar a realidade em si. Para dominar a pura percepção consciente, você precisa aprender a vivê-la.
Quando uma experiência é poderosa a ponto de motivar as pessoas a mudar todo o seu padrão de vida, nós a chamamos de epifania, cujo valor não reside apenas em algumas idéias novas ou estimulantes. Você pode estar andando pela rua e cruzar com um desconhecido. Os seus olhos se encontram e, por alguma razão, uma conexão se estabelece. Não se trata de algo sexual, romântico, nem mesmo de suspeita de que essa pessoa poderia ser importante na sua vida. Em vez disso, a epifania significa que você *é o desconhecido, ou seja, a sua experiência se funde com a dele. Você pode chamar o ocorrido de sentimento ou pensamento, porque isso é irrelevante; o que conta é a expansão repentina. Você é lançado para fora dos seus estreitos limites, mesmo que apenas por um instante, mas isso faz toda a diferença do mundo. Você entrou em contato com uma dimensão oculta. Quando comparada com o hábito de nos fecharmos atrás dos muros do ego, essa nova dimensão transmite um sentimento de liberdade e leveza. Temos a sensação de que o nosso corpo não é mais capaz de nos conter.
Outro exemplo: quando observamos uma criança brincar com absoluta concentração e, ao mesmo tempo, totalmente despreocupada, é difícil deixarmos de ser afetados. A inocência da criança naquele momento não parece palpável?
Continua...
