A arte de mudar o rumo da própria história
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Renato Bernhoeft
A história da humanidade tem mostrado, ao longo do tempo e nas mais diferentes culturas, que existem pessoas que se apropriam da sua biografia e assumem os riscos e alegrias da sua existência. Há pessoas que além disto se tornam figuras que influenciam a vida de outros, seja pela via do exemplo ou do discurso. São pessoas transformadoras que se tornam agentes de alguma história. Podem ocorrer no mundo, países, governos, empresas, famílias e tantos outros sistemas da nossa sociedade.
Existem também aqueles que nem ao menos percebem que sua vida lhe pertence e passam toda uma existência dependendo de pessoas e mecanismos externos na busca de algum sentido para sua vida. Para estes é que existem os "gurus" de plantão e o crescente instrumental de auto-ajuda.
Mas também temos encontrado na história da evolução humana aquelas pessoas das quais se diz que "foram, ou são, maiores que suas vidas". E a afirmativa deve ser no plural mesmo porque, com certeza foram seres humanos que viveram várias vidas ao longo de uma só.
Para compreendermos este comportamento de múltiplas facetas através de uma análise muito prática e sem grandes elaborações podemos utilizar a teoria dos papéis que vivemos.
Estabelecemos relações de caráter profissional, afetivo, espiritual, social, material e também no nível individual. E, embora muitas vezes atuando em "cenários" diferentes, criamos personagens que não podem, do ponto de vista dos princípios, terem comportamentos e atitudes totalmente contraditórias.
Também nossa história deverá sempre ser olhada e vivida em três dimensões. Ou seja, passado, presente e futuro. Embora para muitos esta divisão possa parecer de caráter meramente didático, ela simboliza as transições pelas quais passamos. Somos diferentes a cada instante na medida em que devemos administrar conseqüências e expectativas dos papéis nas dimensões do tempo.
Continua...
Atualizada em: segunda, 16 julho, 2007 - 13:38
Mas o que torna uma pessoa merecedora da categoria e reconhecimento de alguém que viveu muito além da sua vida? Pais podem desenvolver um profundo sentido de realização através das conquistas dos filhos e netos. Um empreendedor transforma uma criatura - a empresa- em uma obra que em dado momento pode tornar-se muito maior do que o seu criador. Lideranças transformadoras conseguem alterar rumos da história e influir na vida de pessoas. Para o bem ou para o mal.
Para alguns estas pessoas que assumem uma dimensão maior que suas vidas tornam-se referências. Mas não apenas para serem admiradas. Estas pessoas passam, de alguma forma, a ser consideradas muito maiores do que sua existência, na medida em que possam ser imitadas em algumas das suas dimensões de sentido e tempo.
E quando penso em todas estas questões recordo sempre a resposta de um historiador italiano, pertencente a uma família que está hoje na 14ª geração, quando perguntado sobre quais as razões para esta longevidade familiar e empresarial. Disse ele, de forma muito pragmática, que na sua família "existiam mortos que estavam vivos, e vivos que estavam mortos".
Embora o que seja motivo real de preocupação sejam os "vivos mortos", pela falta de compromisso com sua biografia e sentido da vida, fica evidente que todos aqueles considerados como "mortos vivos" estão na categoria das pessoas que se tornaram maiores que suas existências. É claro também que todo este conjunto de reflexões faz mais sentido ainda a cada dia que passa em nossa sociedade moderna.
Um mundo competitivo e globalizado, como o que estamos vivendo, exige que nos tornemos indivíduos que conseguem ver e agir muito além de meros desejos ou objetivos de curto prazo. Menos ainda que nossas aspirações sejam apenas influenciadas por uma sociedade consumista e que se satisfaz com modelos de fama efêmera.
Continua...
Esta é uma mensagem para pais, educadores, lideranças sociais e formadores de opinião. Mas é acima de tudo um compromisso que cada um de nós precisa assumir consigo mesmo, na medida que pretenda se apropriar da sua existência. Nunca é tarde para pensar e agir.
Renato Bernhoeft é presidente da Bernhoeft Consultoria
Fonte: Valor Econômico - 16/07/2007
Barbaro, Cleber....
Perdi meu pai a 10 dias, sempre foi um exemplo de vida, força e conquistas, precisava tanto ler ou ouvir palavras como as que estão escristas neste texto, por isto parabéns!!!!!
Eu a terra do doce agradece por Deus permitir que pessoas e espaço como você e a Via6 existirem para momentos de reflexão e aprendizado.
Um grande abraço, amigo se é que posso chamar?
Atualizada em: quinta, 19 julho, 2007 - 08:46
Escrito por:
- ROBERTA F.
- assessora perlamentar da CAMARA MUNICIPAL /RS
- quinta, 19 de julho de 2007 - 08:42
Olká querida Roberta,
Lamento profundamente a sua perda, linda.
Obrigado por suas palavras de carinho.
Seja sempre bem-vinda aqui!
Beijo carinhoso.
Oi Cássia,
Que bom que esteja realizando seus sonhos, linda! É isso aí, devemos correr atrás deles mesmo.
Obrigado por sua participação e depoimento, linda.
Beijo carinhoso.
Excelente Cleber (para variar).
Estamos, como sociedade de maneira geral, necessitando URGENTEMENTE de REFERÊNCIAS (de referenciais), de exemplos, de SIGNIFICADOS.
Aparentemente um certo torpor, uma certa ausência de rumos parecem que nos assombram e pairam sobre as nossas cabeças (principalmente no que diz respeito à nossa juventude). A BUSCA DE ALGO COM SENTIDO !
Isto ! Assumir a nossa existência, assumir a nossa BIOGRAFIA e não viver à sombra de padrões e de exemplos, muitas vezes, nada próximos aos mínimos compromissos com a DIGNIDADE, INTEGRIDADE, VALORES e LIBERDADE Humanas.
abs
Escrito por:
- Vítor Alberto K.
- Consultor-adjunto da TRENDS Consultoria Empresarial Ltda
- domingo, 29 de julho de 2007 - 14:33
Olá Kelly,
Que bom que esteja gostando de nossa comunidade, linda. Seja sempre muito bem-vinda!
Beijo carinhoso.
Olá amigo Vitor,
O que tenho percebido neste sentido, ou seja, referenciais, o que acontece, na minha humilde opinião, é que, devido ás constantes "turbulências" que cansamos de assistir no nosso dia-a-dia, as pessoas estão de fato sem muitas referências que possamos classificar ou rotular como boas.
A decadência nos níveis de qualidade das nossas instituições de ensino, tanto públicas (que nem se fale!!!) como nas privadas; o cárcere forçado de nossas crianças em apartamentos cada vez mais apertados, tornado-as escravas de video-games e computadores; a superproteção exagerada de muitos pais temendo os perigos que possam existir com a convivência de suas crianças com outras fora de casa, etc.
Fatores que a cada dia mais acuam as pessoas, inibindo-as de ousar um pouco mais, de procurar buscar e fazer algo diferente...Conseqüência?? Os ditos morto-vivos nascem todos os dias.
As mídias nos bombardeiam todos os dias com desgraças atrás de desgraças criando subjetivamnte uma mente coletiva que passa a aceitar essas atrocidades, abusos, corrupção, etc., como as coisas mais normais de hoje em dia.
Quiçá citar aqui as novelinhas da rede Globo, por exemplo, que só instigam as pessoas a serem golpistas, corruptas, aproveitadoras, etc.
Lamentavelmente os telespectadores não atentam para essa subjetividade que cresce a cada dia.
Enfim, isso acarreta um crescente afastamento dos valores que você mencionou...DIGNIDADE, INTEGRIDADE, entre tantos outros que sucumbem mediante tamanho poder de massificação da proliferação e crescente aumento de uma mente coletiva que aceita valores cada vez mais baixos e setencia como absolutamente normal para os dias de hoje, tudo aquilo que possa ser considerado pelos bons como mal.
Eis minha humilde opinião.
Parabéns mais uma vez por sua brilhante e enriquecedora participação, amigo.
Abraços e sucesso!
Olá Cleber
Muito bom começar o dia lendo seu texto, quero ser a diferença em minha vida, em cada momento dela, ser todo dia um pouco melhor, agregando diferenças e aprendizados. Pois assim posso também ajudar quem estiver por perto.
Abraços!
Gláucia
Escrito por:
- Gláucia P.
- Consultor / Professor da Four Life Consultoria Português - Inglês
- quarta, 01 de agosto de 2007 - 09:18
