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O MALUCO
28 de Outubro de 2003

   Ontem eu vi uma cena bizarra! Fiquei até meio assim, sem saber o que pensar!
   É, que foi?
   Em uma outra janela passou um outro rapazote pedindo comida.
   E ganhou?
   Ganhou! Pegou o saquinho de papel
Se afastou sem dizer uma palavra
E ali, ó, neste coqueiro,
Se abraçou no tronco dele
E riu, riu, um riso largo, grande,
Um riso que nós nem somos capaz de dar
Já que somos dotados da “normal-idade”.
O rapaz era negro [claro]
Devia ser maluco [claro]... para rir daquele jeito...
A boca quase sem dentes [claro]... é o perfil que já sabemos...
Acenando com o rosto a alegria agradecida
Por ter recebido uma esmola!
Gritando em seu mudo gesto
O direito de estar alimentado.
Sentou-se logo ali
Abriu o saco de papel
E comeu o que havia
Quando acabou tudo o que tinha dentro
Largou o saco
E saiu andando
Indo ao encontro do destino já traçado.
   Ensina bem mais do que podemos aprender! Desapego, agradecimento, reverência! Chama o compromisso que teimamos em não ver.
   É, eu fiquei pensando! Nem sabia o que pensar! Parecia que ele tinha bem mais p'ra dizer do que muita gente!
   E, tudo, de novo, vai ficar apenas na reflexão?
   Como assim?
   É, bem assim. Tem um ser ali, ó, embaixo do plástico. Deitado, dormindo.
   Vamos lá ver???

Escrito por:

Marise J.
Consultora/Escritora
sexta, 03 de agosto de 2007 - 22:19
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Poema antigo. Tema atual.

Escrito por:

Marise J.
Consultora/Escritora
sexta, 03 de agosto de 2007 - 22:22
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Muito interessante o texto.Os valores e necessidades de cada um depende de como a sociedade trata seus semelhantes. Muitas vezes reclamamos que a comida da empresa é ruim, mas não lembramos que temos nutricionistas de graça, horário de refeição todos os dias enquanto muitas pessoas dependem de alguém para poder ter o mínimo de comida.

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Nésio Tomé Queiroz Q.
Representante Técnico Regional de Segurança da COMAU do brasil
sábado, 04 de agosto de 2007 - 19:38
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Pois é, Caro Nésio!

Isso é algo que me assusta: o quanto o cidadão metropolitano parece estar acostumado com a miséria, a extrema carência que é não ter comida, roupas limpas e decentes, um banheiro, um vaso sanitário, que dirá um lar, carinho, entendimento.

Todos os dias encontramos pessoas espalhadas pelas ruas e a maioria parece nem ligar mais. Quando o coração se embrutece, o que mais se pode esperar?

Noutro dia conheci a realidade de alguns albergues. Há pessoas [denominadas 'moradores de rua' - ...] que precisam ter documentos, passar por uma avaliação, estar inscritos em um cadastro. Aí, quando a noite se avizinha, chegam, são encaminhados para tomar um banho, recebem roupa limpa, um jantar, vão dormir em cama limpa. De manhã, precisam voltar às ruas, até a próxima noite. Palmas para quem teve a iniciativa, palmas para quem angaria fundos, palmas para quem vai, voluntária e gratuitamente, cozinhar e lavar, à noite [muitos desses voluntários lá comparecem após sua jornada usual -e remunerada - de trabalho]. Fazem muito, em meio ao muito que precisa ser feito.

Agora, quando foi mesmo que tudo começou? Quem nos fez acreditar que "o mundo é assim mesmo", que sempre [olha que palavra absoluta - SEMPRE] haverá pobres e ricos? Amanhã à noite, mesmo, novamente, vai aparecer uma reportagem no Fantástico sobre o desperdício de comida, as legislações absurdas que impedem o reaproveitamento. E a comida sendo jogada no lixo, quando milhares de bocas famintas as querem ingerir. caos social? Claro que sim!

Escrito por:

Marise J.
Consultora/Escritora
sábado, 04 de agosto de 2007 - 22:36
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E resolve a legislação proibir o 'acesso' ao alimento que restou dos buffets? Claro que não! A única coisa que a legilação proibitiva consegue é isentar o dono do restaurante de qualquer responsabilidade sobre 'os menos favorecidos' que, como sempre, são jogados à própria sorte.

Noutro dia estava levando meus dois netos até a escola, quando passamos por uma dessas carrocinhas-de-um-cavalo, que recolhem os restos de comida para 'levar para o cavalo', ou 'para alimentar porcos' e um rapaz, mulato, de, no máximo, 20 anos, pegava com as duas mãos a comida, misturada a palitos de palitar dentes e guardanapos de papel usados, e transferia-a da lata-lixeira do restaurante para seus semi-tonéis. E, ali, naquele instante, durante a transferência, levava uma das mãos à boca e...comia! Olhou para nós com ar feroz quando viu que havíamos notado. Eu, sem saber o que fazer, desviei os olhos e seguimos nosso passo, rezando para que não se sentisse envergonhado demais, pois a responsabilidade de sua situação está muito mais nas mãos de quem tem o poder de decidir do que nas dele, que é mera consequência de toda essa exclusão social.

Que esta reflexão possa, ao menos, deixar-nos mais gratos pela refeição que tivemos há pouco e mais respeitosos por aqueles que não tem e que se estendem nas calçadas.

E amanhã de manhã, quem sabe, alguns farão alguma coisa...



Atualizada em: Wednesday, 24 March, 2010 - 01:50

Escrito por:

Marise J.
Consultora/Escritora
sábado, 04 de agosto de 2007 - 22:47
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Ola Marise tudo bem?

Muito interessante esse texto, hoje mesmo aconteceu isto comigo, bom tenho 19 anos, e essa é uma idade critica para os homens pois estou servindo o exército... O quartel que eu estou não é dos mais ricos, ao contrário é bem humilde e não tem uma estrutura muito boa. A minha cidade esta com um problema muito grande os trabalhadores público (professores, cozinheiros, lixeiros "garis", gardas municipais...)estão em greve, e a nossa alimentação é cedida pela prefeitura e por algum motivo a comida não está muito agradável, hoje eu nem almocei direito, não que eu esteja rejeitando a comida mas não estav nada agradável, e agora lendo seu texto ja to arrependido e vou valorizar e agradecer pelo almoço.

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Maicon S.
Instrtutor de Informática
segunda, 06 de agosto de 2007 - 13:06
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Puxa, Maicon! Até me emociona este teu relato!
São essas pequenas reflexões, esse "dar-se conta" do quanto nós temos em relação ao outro, é que cria essa consciência de respeito ao outro. E deixa-nos mais suaves em relação à vida que temos.

Isso não significa que vamos perder o senso da excelência, nem do quanto merecemos (todos) viver na abundância. O ganho é a serenidade, que abre portas para conseguir o que se quer.

Um grande abraço!

Escrito por:

Marise J.
Consultora/Escritora
segunda, 06 de agosto de 2007 - 13:33
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Em uma situação como deste pedinte, é difícil nos colocarmos no lugar dele, que se contenta com pouco, e as vezes nós temos a mesa farta e ainda reclamamos, nem se quer agradeçemos a Deus pelo que temos e nem pedimos para que Deus possa abençoar a mesa de quem não tem o que comer.
Abraço.

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Gilvan A.
Operador Junior da Arcor do Brasil Ltda
segunda, 06 de agosto de 2007 - 19:00
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Grata pelo depoimento, Caro Gilvan!
Nosso exercício de agradecimento, depois de incorporado, torna-se um modo de vida que deixa tudo mais fácil de ser administrado.

Agora, eu tenho a certeza que os cidadãos citados anteriormente, não se contentam, não. è que barriga, quando ronca, ronca mesmo!... (desculpem a expressão).

Quem já sentiu fome sabe disso. E eí, a escolha recai no imediato, mesmo com revolta. E é esse cansaço [de ficar com os restos da sociedade] que gera a violência!

Só vai mudar quando as pessoas aprenderem a dividir mais. E não dar apenas o que não "serve mais".

Escrito por:

Marise J.
Consultora/Escritora
terça, 07 de agosto de 2007 - 00:43
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Pode não acreditar, mas hoje é que vi a resposta de algo que escrevi em 2007 e os outros relatos.

Acho que hoje nos preocupamos muito com o agora, esquecendo que tem muita coisa a ser feita.

O ter é a mola do mundo. Como vamos aprendr a ser? Como chegar nisso?

Escrito por:

Nésio Tomé Queiroz Q.
Representante Técnico Regional de Segurança da COMAU do brasil
domingo, 10 de janeiro de 2010 - 10:47
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