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EXÉRCITO NAS FAVLAS DO RIO

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Gostaria de saber a opinião dos colgeas do grupo:
A presença do exército nas favelas cariocas inibe o tráfico de drogas e diminuiu as ocorrências de violência, assaltos e roubos. Essa é a saída para as grandes cidades?
Armando

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Armando P.
Diretor- Proprietário da Pensare Consultoria
sexta, 10 de março de 2006 - 09:16
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Olá Armando. Sinceramente, eu acho um erro pois esses famigerados fuzis não serão encontrados e o exército ficará desmoralizado perante a opinião pública, que dirá que nem as Forças Armadas dão jeito nos traficantes.
É uma questão simples, soldados são treinados para eliminar o inimigo ou seja, matar. Eles não são treinados para fazer o papel da polícia, não possuem a malícia necessária. Sendo assim, estamos tentando curar gripe com rémédio para gastrite, o que pode trazer efeitos indesejáveis:
1- Mobilizar um força que não pode ser utilizada em sua plenitude. Nenhum comandante ordenará que a tropa abra fogo contra a favela pois o preço em vidas inocentes é alto demais. Nenhum tanque disparará um só tiro.
2- Caso isso aconteça, rapidamente os moradores dessas áreas fecharão vias urbanas em protesto, causando caos urbano e comoção nacional. Se quermos soldados nas ruas, estejamos preparados para seus efeitos pois soldados matam sem responder a inquérito.
3- Não podemos esquecer que são brasileiros atirando em brasileiros, não estamos enviando tropas para ocupar um país estrangeiro, esses soldados moram nas favelas que eles mesmo ocupam.

Enfim, acho uma temeridade sacar a arma e não poder atirar. Ao meu ver a solução é uma limpeza radical na polícia, o envio de Policiais de outros estados para uma ação cirúrgica, com inteligência e ações rápidas. E que alguém tenha peito de dizer perante as câmeras que autorizou a morte de bandidos armados pois sempre que morre um indivíduo desses, os "direitos humanos" sempre aparecem.

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Claudio M.
Coordenador Geral da IGEC
sexta, 10 de março de 2006 - 10:29
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OLÁ LIZ E CLAUDIO,

Realmente também acho temeroso colocar o exército nos morros, mas algumas pessoas estão achando o máximo e parece que há apoio de parte da população não moradora dos morros é claro. Liz estou com você o Programna de tolerância zero de New York, poderia ser adaptado às grandes cidades brasileiras, SP, Rio, BH, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e uma mega operação em Brasília (risos)
Armando

Escrito por:

Armando P.
Diretor- Proprietário da Pensare Consultoria
sexta, 10 de março de 2006 - 22:20
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Olá Armando e Liz. Tolerância zero é ZERO mesmo. Se um PM pode entrar num barraco em busca de drogas e armas, pode entrar numa cobertura da Vieira Souto com o mesmo intuito. Quero ver a classe média apoiar o Tolerância Zero quando um trabalhador for preso porque tentou corromper o PM que lhe multou no trânsito. Como dizia Sartre, o inferno são os outros.

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Claudio M.
Coordenador Geral da IGEC
segunda, 13 de março de 2006 - 11:52
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Totalmente de acordo, Claudio. Tolerância zero para todos os níveis de crimes, sejam eles praticados em qualquer classe social.
É um desafio e tanto para nós brasileiros que gostamos de dar um "jeitinho". Mas é fundamental que algo seja feito. Particularmente, acredito que estamos muito longe de termos um moralidade, pois embora tenhamos a imensa maioria da populaçao honesta, cumpridora dos seus deveres, etc. por outro lado não é organizada e omissa.
Esperamos muito que alguém faça. Dou o exemplo mais recente. No edifício onde moro, fomos chamados para uma assembléia onde três temas eram importantes e demandariam até em implicações no bolso de cada um e olhe que os valor seria alto. Somos apenas 36 apartamentos, desses 20% são inquilinos. Todos os moradores rteceberam a convocação e assinaram ter recebido. Foram colocados avisos em todos os elevadores, escadas, garagem durante um mês antes da assembléia. Na semana da assembléia por pedido meu foi feita uma faixa que foi colocada na entrada da garagem, e um aviso em letras garrafais nos elevadores falando da importância da presença ou de mandar uma procuração pelo vizinho.
No dia da assembléia, eu pessoalmente telefonei para três vizinhos que tenho mais contato. Minutos antes da assembléia, que foi marcada para depois do horário do Jornal Nacional, eu fui até a garagem e verifiquei quantos moradores estavam em casa: dos possiveis 36 - 7(inquilinos) 29 proprietários - 25 estavam em casa. Perguntei ao porteiro se havia alguém que tivesse saído e ele disse que não.Perguntei se alguèm estava com visita e apenas 2 estavam com visitas. Então tinhamos provaveis 27 participantes. Desses apareceram o sindico, o conselho (3) e o conselho fiscal (2) - Seis pessoas, dos restantes apenas 4. Ou seja de um Universo de 23 pessoas apenas 4 compareceram, e uma delas chegou quase no final , tinha esquecido da assembleía (sic). continua

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Armando P.
Diretor- Proprietário da Pensare Consultoria
segunda, 13 de março de 2006 - 12:20
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Minha pergunta é como pode?
No dia seguinte indo para um evento logo pela manhã, encontrei com um morador que não conheço bem e quem não sabia que sou do conselho, que comentou comigo, sobre o dinheiro gasto para divulgar as assembléia. Disse-lhe que fui e que foi muito importante e perguntei a ele (um médico) por que não havia ido e feito essa reclamação diretamente na assembléia e para o ordenador da despesa em seu nome. A resposta foi : pago para não participar, pago para não me aborrecer.
Como pode? Como é que poderemos pedir para nos orgnizarmos, discutirmos estratégias para o país, se maioria não participa nem mesmo daquilo que está mais próximo e que afetará diretamente sua vida. Pedir para alguém que não participa das quest~~oes da sua própria comunidade para decidir sobre o futuro de um país é dar um tiro na cabeça?
Hoje tenho muitas perguntas que talvez incomode meus colegas. Mas vejo essa omissão , nas escolas, nos bairros, nos condomínios, nas igrejas e em muitas outras situações e locais. O que fazer? Como poderemos deixar um país nas mãos de pessoas que preferem criticar ao invés de participar? São boas pessoas não há dúvida, são bons profissionais, são trabalhadores e honestos na sua imensa e esmagadora maioria, mas pessoas que não sabem onde chegar não vão a lugar nenhum. Estamos na iminência de um novo populismo barato, do dito "deixe comigo que eu faço para você", ou "roubo mas faço". Aliás se pensarmos bem... Hoje como está?
Ainda estamos na época do Salvador da Pátria?
Me disseram uma vez é melhor ficar calado, ao que respondo sempre, nunca. Enquanto existir em mim uma centelha de esperança e visão de que pode ser melhor continuo pedindo, falando, incitando à participação. Ainda bem que não estou só, mas ainda somos poucos para iniciar um processo de educação. Precisamos de muito mais gente.

Escrito por:

Armando P.
Diretor- Proprietário da Pensare Consultoria
segunda, 13 de março de 2006 - 12:37
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SOBRE MINHA CIDADE QUE PRECISA VOLTAR A SER MARAVILHOSA



Apesar de morar a três anos em Santa Catarina, sou carioca. O exército já havia ocupado algumas favelas e se retirou assim que houveram os primeiros casos de soldados corrompidos pelo tráfico, a fim de não desmoralizar a instituição. Agora parece que é uma operação pontual, no sentido de mostrar força, buscando com isso inibir as investidadas de traficantes contra as armas dos quartéis. O exército está usando táticas de asfixia, prejudicando o comércio de drogas, numa medida de demonstração de força.

Só os cariocas sabem o que é viver constantemente debaixo das manifestações de força dos bandidos. Quando eles mandam fechar o comércio (não só nas favelas), também é uma demonstração de força assustadora para nós cariocas. A população dos morros, que noutras épocas era protegida pelos traficantes (pela ausência do estado), hoje é refém dos bandidos. Antigamente traficantes não consumiam drogas, mas esses antigos "líderes" do tráfico, foram substituídos pelos atuais que conduzem suas ações terroristas (muitas das ações desse pessoal é de terrorismo, ainda que não tenham essa consciência), debaixo de muita cocaína na cabeça. É apavorante e não é à toa que a população do Rio se sinta mais segura com o exército nas ruas, ou qualquer coisa que lhe dê a sensação de mais força que os bandidos. Se o exército poderia ser usado noutras cidades violentas? Acho que o Rio é um caso a parte.

continua...
Editada em: segunda, 13 março, 2006 - 15:02

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segunda, 13 de março de 2006 - 14:25
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Me interesso muito pelas questões de Israel e Palestina e sempre tenho a consciência que é difícil opinar sem viver lá. O mesmo caso é o Rio. Se sou “do asfalto" como se diz nos morros, já trabalhei com comunidades de favelas e conheço a real dimensão do problema. E é, simplesmente assustadora!

Me parece que no Rio, ninguém, do Estado às cabeças pensantes, sabe mais o que fazer. O dinheiro do tráfico é muito fácil e abundante. Corrompe garotos com perpectivas de vida escassas, corrompe a polícia, enfim...

Minha utopia é que os usuários de drogas resolvessem combater a violência e de uma hora para outra se unissem num boicote mundial às drogas e à violência gerada por elas.

Não tenho absolutamente nada de moralista, mas o uso de drogas não é mais, uma questão de opção pessoal, mas um problema mundial e as experiências que países europeus têm feito no sentido de permitir seu uso em algumas regiões têm trazido mais problemas que soluções.

Escrito por:

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segunda, 13 de março de 2006 - 14:34
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Armando

Obrigada pelo convite.

Não pronunciei antes porque fiquei sem palavras e ainda estou. Assisti ontem aquelas cenas no Fantástico e pensava: Meus Deus isso é verdade! Que vergonha saber que isso deve estar passando em outros paises. O meu País!

Ver aquelas pessoas correndo com os corpos flexionados, tentando se defender enquanto tiros eram dados a esmo. Famílias sem saber como sair ou chegar do trabalho. Que vida é essa? Que Brasil é esse?

Quando criticamos o interior em outras comunidades, seja por falta de oportunidade de crescimento pessoal/profissional, seja por outras razões, eu ainda agradeço por poder viver e morar no interior, aonde ainda há natureza e um pouco mais de paz. Sim, porque até por aqui a paz está no fim com a distribuição de presídios por todos os lugares, onde chega uma penitenciária chega o fim da paz.

Apesar de ler o comentários de todos vocês, registro aqui apenas o meu pesar.

Marly

Escrito por:

Marly de J.
Adm
segunda, 13 de março de 2006 - 15:09
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Olá a todos.....

Belo tópico Armando. Bem atual para o nosso momento aqui no Rio. Espero que minha conterrânea Alessandra não tenha ido embora por causa de toda esta violência. Sei que este problema é crônico e cada vez mais nas grandes cidades de uma forma em geral as famílias estão refens dentro de suas próprias casas destes marginais.
Se o exército não é solução, pelo menos tem contribuido para a diminuição dos casos de roubo próximo as comunidades ocupadas. Agora que a retirada é anunciada e a estratégia é de promover ações pontuais ( como eles estão denominando ) é que iremos
ver a efetividade desta ação ou seu total fracasso.
De qualquer forma não podemos fechar os olhos para quem realmente financia estas verdadeiras industrias que são a classe média alta, artistas e ricos de uma forma em geral. Usuários pobres são normalmente envolvidos ou acabam morrendo por causa de dívidas com o tráfico. Que a nossa sociedade seja menos hipócrita e encare este problema de cima para baixo e não ao contrário.


Abraços.


Lúcio Soares.

Escrito por:

Lúcio S.
Sócio Diretor da Global Trat Up
segunda, 13 de março de 2006 - 15:35
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